Missão
no Havaí simula exploração a Marte - DIVULGAÇÃO/HI-SEAS /
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Programa
vai confinar seis pesquisadores por um ano para avaliar qual seria o
comportamento da tripulação no planeta vermelho.
No
próximo dia 28, seis pessoas serão colocadas em uma estrutura com
cerca de cem metros quadrados construída a 2,5 quilômetros de
altitude, no alto do vulcão Mauna Loa, no Havaí, onde ficarão
confinadas por 365 dias. Durante todo esse período, a alimentação
será similar a dos astronautas, composta majoritariamente por
produtos desidratados, e a comunicação com o mundo exterior será
apenas eletrônica, com atraso forçado de 20 minutos. Os passeios na
parte exterior do complexo só poderão ser realizados com trajes
especiais, e as tarefas externas serão constantes. E todo esse
sacrifício é feito em nome da ciência. O objetivo é simular uma
missão exploratória a Marte, para avaliar o comportamento e
aspectos psicológicos e de relacionamento da tripulação.
— Vai
ser bastante estressante para eles. O tempo é muito longo, mas estão
animados — conta Kim Binsted, pesquisadora-chefe do projeto Hi-Seas
(Hawaii Space Exploration Analog and Simulation). — Nós queremos
saber como apoiar e monitorar uma tripulação para que eles possam
realizar missões de longa duração sem querer matar um ao outro.
São
três homens e três mulheres que passaram por um intenso processo de
seleção, que tinha em seu início cerca de 150 candidatos de
diversas partes do mundo. A dedicação por um ano, que os obriga a
darem uma pausa em suas carreiras, é praticamente voluntária. Cada
um receberá uma bolsa de US$ 15 mil, bem abaixo da média salarial
americana. Kim explica que a ideia foi escolher pessoas com perfil
parecido com o de astronautas, que estejam preparadas para suportar
situações complexas e de extrema responsabilidade.
— É
um ambiente técnico, qualquer erro pode colocar a missão em risco —
diz Kim. — Existem alguns motivos para as pessoas se candidatarem.
O principal deles é que muitos sonham em se tornar astronautas de
verdade, e veem a missão como interessante para terem no currículo.
Outros querem testar os seus limites, ou desejam fazer uma
contribuição real para a ida do homem a Marte.
A
previsão é que o projeto americano de enviar os primeiros seres
humanos a Marte aconteça na década de 2030. O Hi-Seas é o
principal experimento de simulação de exploração marciana
realizado pela Nasa. Iniciado em 2013, ele já teve três outras
missões, mas todas com duração menor: duas de quatro meses e uma
de oito. Um estudo semelhante foi realizado entre 2007 e 2011 pela
Agência Espacial Europeia, em parceria com Rússia e China, que
confinou três voluntários por 520 dias.
Essa
repetição é considerada essencial para validar estatisticamente os
resultados. Apesar de terem durações diferentes, as quatro missões
do Hi-Seas têm a mesma dinâmica para que os cientistas possam
perceber similaridades no comportamento da tripulação.
— Pelas
missões anteriores, nós pudemos observar que a tripulação fica
estressada, alguns com sinais de depressão, principalmente na etapa
final. Queremos ver se isso se repetirá — exemplifica Kim.
As
condições são extremas, mas todas as tripulações completaram o
período de confinamento. Porém, ao ser questionada sobre a
possibilidade de algum participante abandonar a pesquisa, seja por
questões familiares do lado de fora ou por problemas de saúde, Kim
deixou claro que o isolamento pode ser revisto.
— Nós
podemos tirá-los — afirma Kim. — Se acontecer alguma coisa com
familiares, se a pessoa tiver um problema médico, nós tiramos.
Obviamente isso não aconteceria em uma missão real, mas é um
estudo. Não vamos arriscar a vida de ninguém.
Fonte: O Globo
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